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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

"A VIDA ÍNTIMA DE LAURA" DE CLARICE LISPECTOR



Outra obra de Clarice Lispector que, em boa hora, a Relógio d´Água publicou. Para um público infantil? Talvez..mas os adultos também se deliciam com a escrita, os devaneios narrativos, as associações, os comentários a (des)propósito enquanto desfia a vida intíma de uma...galinha!!! Aliás, o título já é uma 'provocação' pois, não fora a ilustração, e pensaríamos estar em presença de um livro para adultos! 

Vou logo explicando o que quer dizer "Vida íntima". É assim: vida íntima quer dizer que a gente não deve contar a todo o mundo o que se passa com a gente. São coisas que não se dizem a qualquer pessoa. Pois vou contar a vida íntima de Laura.
Agora adivinhe quem é Laura.
Dou-lhe um beijinho na testa se você adivinhar. E duvido que você acerte! Dê três palpites.
Viu como é difícil? (...)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

"A MULHER QUE MATOU OS PEIXES" DE CLARICE LISPECTOR



Essa mulher que matou os peixes infelizmente sou eu. Mas juro a vocês que foi sem querer. Logo eu! que não tenho coragem de matar uma coisa viva! Até deixo de matar uma barata ou outra. Dou minha palavra de honra que sou pessoa de confiança e meu coração é doce: perto de mim nunca deixo criança nem bicho sofrer.
Pois logo eu matei dois peixinhos vermelhos que não fazem mal a ninguém e que não são ambiciosos: só querem mesmo é viver. Pessoas também querem viver, mas felizmente querem também aproveitar a vida para fazer alguma coisa de bom.
Não tenho coragem ainda de contar agora mesmo como aconteceu. Mas prometo que no fim deste livro contarei e vocês, que vão ler esta história triste, me perdoarão ou não. Vocês hão de perguntar: por que só no fim do livro? E eu respondo:
— É porque no começo e no meio vou contar algumas histórias de bichos que eu tive, só para vocês verem que eu só poderia ter matado os peixinhos sem querer.
Estou com esperança de que, no fim do livro, vocês já me conheçam melhor e me deem o perdão que eu peço a propósito da morte dos dois “vermelhinhos” — em casa chamávamos os peixes de “vermelhinhos”.

Li o livro, deliciada, pela escrita e pela história. O título 'anuncia' uma história de 'crime e castigo' mas desenrola-se sem falsos moralismos (tão recorrente em alguns 'livros para crianças'...) nem condenações apressadas. Crianças tratadas como seres que sabem entender as falhas humanas...
Aqui pode ver um vídeo muito interessante sobre o livro.
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